São Paulo

Promotoria apura ação da GCM na Arquidiocese de SP

Camila Bohem/Agência Brasil

(Arquidiocese/Reprodução)

Uma ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) realizada na manhã da última sexta-feira (14) no Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, um centro comunitário da capital paulista administrado pela Arquidiocese de São Paulo, tornou-se alvo de inquérito no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP) após relatos de atos de truculência cometidos pelos seus integrantes.

Ao instaurar o inquérito, os promotores de Justiça Eduardo Valério e Bruno Simonetti citaram vídeos que mostram integrantes da GCM em formação militar, empunhando escudos e armas, lançando jatos de gás pimenta no rosto dos usuários e causando grande tumulto no local. Na ocasião, foram agredidas pessoas em situação de rua e também o padre Júlio Lancellotti, de 69 anos, da Pastoral do Povo de Rua, segundo divulgou a Arquidiocese de São Paulo. O padre havia sido chamado para mediar o conflito.

De acordo com o MP, as informações colhidas “dão conta que houve agressões e também o lançamento de jatos de gás contra trabalhadores do equipamento, numa ação timbrada pela agressividade e truculência”, acrescentando que guardas-civis também se feriram.

Começo do incidente

Segundo o MP e a Arquidiocese, a ocorrência começou após abordagem realizada pela GCM a pessoas em situação de rua que estavam em frente ao núcleo. Elas tentaram se refugiar dentro do prédio onde funciona a entidade, mas foram perseguidas pelos guardas.

“O prédio foi, então, violentamente invadido por agentes que portavam cassetetes e sprays de pimenta”, disse, em nota, a Arquidiocese. “As agressões são tanto mais inaceitáveis por terem ocorrido dentro de um local destinado ao atendimento da própria população de rua, historicamente abandonada pelo Poder Público”, acrescentou.

O MP vai apurar a possível ilegalidade da ação de zeladoria realizada na ocasião. “A atuação da GCM, ao ingressar em formação militar num equipamento da rede socioassistencial destinada a pessoas em situação de rua e, em seu interior, fazer uso de violência e truculência de modo indiscriminado, também será apurada pelo procedimento”, acrescentou o MP.

A Promotoria solicitou ainda que a Secretaria de Segurança Urbana envie informações sobre a operação realizada pela GCM no centro comunitário e que o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto – da Arquidiocese – envie todas as imagens colhidas pelo sistema de circuito interno de TV instalado no local.

Outro lado

A prefeitura informou que a Secretaria de Segurança Urbana ainda não foi notificada sobre o inquérito. Em relação à ação da guarda, a prefeitura disse, em nota, que “o comando da Guarda Civil Metropolitana determinou a imediata e rigorosa apuração dos fatos. Segundo os guardas-civis que estiveram no local, uma equipe da Subprefeitura Mooca realizava trabalhos de zeladoria rotineira, quando foi hostilizada por moradores em situação de rua”.

Ainda segundo a prefeitura, uma viatura da GCM que fazia ronda na região “tentou impedir as agressões, mas foi atacada com pedras, pedaços de pau e barras de ferro”.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
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