São Paulo

Sócio de construtora é preso após desabamento que matou seis na Penha

Justiça decretou três prisões temporárias na investigação; sexta vítima foi encontrada e Bombeiros encerraram as buscas neste domingo (13)

Scio de construtora  preso aps desabamento que matou seis na Penha
Justiça decretou três prisões temporárias na investigação; sexta vítima foi encontrada e Bombeiros encerraram as buscas neste domingo(Paulo Pinto – Agência Brasil)

Um homem apontado pela Polícia Civil como sócio oculto da New Home Construtora foi preso neste domingo (13) durante a investigação do desabamento de um prédio na Penha, Zona Leste de São Paulo. A tragédia deixou seis mortos, após o corpo de uma menina de 7 anos ser localizado sob os escombros. Com a retirada da última vítima procurada, o Corpo de Bombeiros encerrou as buscas.

A Justiça também determinou a prisão temporária de outras duas pessoas ligadas à empresa responsável pela construção: o engenheiro Cristiano Vivacqua, apontado como responsável legal pela construtora, e Isis Brandão, mulher dele e também proprietária da New Home. Os dois eram considerados foragidos na atualização mais recente.

Polícia prende homem apontado como sócio oculto

Ronaldo Vivacqua foi preso na manhã deste domingo e levado para prestar depoimento. Segundo a investigação, ele seria um sócio oculto da construtora.

A Polícia Civil apura se os responsáveis pela obra tinham conhecimento de problemas na estrutura. A delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, do 24º Distrito Policial, afirmou que a análise do histórico da construção e de documentos levantou suspeitas sobre o conhecimento prévio da fragilidade da edificação. A causa efetiva do desabamento, entretanto, ainda depende da perícia.

A investigação também apura uma possível tentativa de ocultação de documentos relacionados à obra. Esse foi um dos elementos considerados pela polícia ao solicitar as prisões temporárias.

Defesa diz que obra tinha autorização judicial

A defesa dos investigados apresenta uma versão diferente. O advogado Adelmo Silva afirmou que uma decisão judicial de março de 2025 teria autorizado a continuidade das obras e disse que apresentará o documento à Polícia Civil.

O advogado também afirmou que Cristiano Vivacqua e Isis Brandão não estavam em São Paulo e que pretendem se apresentar à polícia. Segundo a defesa, a obra estava parada por falta de recursos financeiros. A construtora sustenta ainda que as causas do desabamento precisam ser esclarecidas pela investigação e pela perícia.

Prédio havia sido interditado pela Prefeitura

O histórico da construção está no centro da investigação. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a obra começou em 2019 e foi interditada após a administração municipal identificar irregularidades e problemas estruturais. A continuidade dos trabalhos levou o município a aplicar multas e, posteriormente, recorrer à Justiça.

Em 2023, um novo alvará foi emitido prevendo que a estrutura existente fosse demolida antes da construção de uma nova edificação. De acordo com a Polícia Civil e a Prefeitura, essa demolição não teria ocorrido conforme previsto.

Uma servidora da Subprefeitura da Penha que realizou uma vistoria em 2024 e atestou a demolição foi afastada por 30 dias. A Prefeitura informou que imagens de satélite e informações obtidas posteriormente indicaram que a estrutura não havia sido demolida. O caso também está sob apuração administrativa e criminal.

Sexta vítima foi encontrada neste domingo

O desabamento aconteceu por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici, quando o prédio em construção caiu sobre uma residência vizinha. No imóvel atingido vivia uma família de imigrantes bolivianos e também funcionava uma oficina de costura.

Na manhã deste domingo, os Bombeiros localizaram o corpo de uma menina de 7 anos, que era a última pessoa procurada. Com a localização, o número de mortos chegou a seis e a operação de busca foi encerrada após mais de 24 horas de trabalho. Duas pessoas foram retiradas com vida e tiveram ferimentos leves.

Polícia investiga responsabilidades pelo desabamento

Com o fim das buscas, a apuração sobre as causas e possíveis responsabilidades ganha uma nova etapa. A perícia deverá apontar os fatores que provocaram o colapso da estrutura.

As investigações também deverão esclarecer o histórico de fiscalização, o cumprimento das determinações administrativas e judiciais e a atuação dos responsáveis pela construção. Até a conclusão das apurações, não há definição definitiva sobre a causa do desabamento nem sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
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