Tenente-coronel réu por feminicídio da esposa depõe por mais de 8 horas em SP
Geraldo Leite Rosa Neto negou ter matado a soldado Gisele Alves Santana e contestou pontos da perícia; Justiça decidirá se caso vai a júri

Foto: Reprodução – Redes Sociais
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, foi interrogado por mais de oito horas no processo em que é réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, em São Paulo. Durante o depoimento, o oficial negou ter matado a mulher e manteve a versão de que ela teria tirado a própria vida.
O interrogatório ocorreu no Fórum Criminal da Barra Funda. Começou por volta das 13h40 de segunda-feira (5) e terminou perto das 22h.
Rosa Neto está preso preventivamente desde 18 de março e também responde por fraude processual. Ele nega as acusações.
Com o fim do interrogatório, a Justiça encerrou a fase de instrução do processo. Acusação e defesa deverão apresentar as alegações finais antes de a juíza decidir se o tenente-coronel será levado ao Tribunal do Júri.
Tenente-coronel contesta resultado da perícia
Durante o interrogatório, Rosa Neto contestou elementos da investigação e questionou conclusões dos trabalhos periciais realizados no caso.
Um dos pontos discutidos envolve a altura de Gisele e a dinâmica do disparo. O réu sustentou que a esposa tinha aproximadamente 1,75 metro, enquanto documentos periciais apontaram cerca de 1,65 metro.
A diferença é relevante porque integra as análises utilizadas pelos peritos para reconstruir a posição da vítima e a trajetória do disparo.
O tenente-coronel também contestou a interpretação de mensagens relacionadas ao relacionamento e à possibilidade de separação do casal.
Novo laudo aponta incompatibilidade com suicídio
Um laudo complementar do Instituto de Criminalística reforçou a conclusão de que a dinâmica encontrada no apartamento seria incompatível com a hipótese de Gisele ter efetuado o disparo contra a própria cabeça.
Os peritos analisaram, entre outros elementos, a posição dos vestígios de sangue, as lesões encontradas no corpo e a dinâmica do disparo.
O documento aponta a participação de outra pessoa na dinâmica que provocou a morte da policial.
A defesa de Rosa Neto contesta as conclusões periciais e mantém a versão de suicídio.
Gisele foi encontrada baleada dentro de apartamento
Gisele morreu em 18 de fevereiro, após ser encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo.
O caso foi inicialmente apresentado como suicídio.
As circunstâncias da morte passaram, porém, a ser questionadas durante a investigação. Novas perícias, depoimentos e informações obtidas em aparelhos eletrônicos passaram a integrar o inquérito.
A apuração também analisou mensagens relacionadas ao relacionamento do casal e relatos sobre episódios anteriores de violência doméstica.
Rosa Neto acabou preso preventivamente em março e posteriormente tornou-se réu por feminicídio e fraude processual.
Justiça decidirá se caso vai a júri popular
Com o interrogatório do tenente-coronel, terminou a fase destinada à produção de provas e à oitiva de testemunhas e do acusado.
Agora, acusação e defesa terão prazo para apresentar as alegações finais.
Depois dessa etapa, a juíza responsável pelo processo deverá decidir se existem elementos suficientes para levar Rosa Neto a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Caso seja pronunciado, o tenente-coronel será julgado por jurados, que deverão decidir sobre sua responsabilidade pela morte de Gisele.
Também existe a possibilidade de outras decisões previstas nessa fase processual, razão pela qual a realização do júri ainda não pode ser tratada como definida.
O processo criminal corre paralelamente a um procedimento administrativo na Polícia Militar relacionado à permanência do oficial nos quadros da corporação.




