Política

Aprovação e desaprovação de Lula empatam após tarifas de Trump, aponta pesquisa Atlas

Reação firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às sobretaxas de 50 % impostas por Donald Trump impulsionou sua avaliação, com aprovação e desaprovação em empate técnico

A mais recente pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (15), revela um empate técnico entre aprovação e desaprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação do governo atingiu 49,9 % de aprovação, enquanto a desaprovação ficou em 50,3 %, variação que se encontra dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi realizado entre os dias 11 e 13 de julho, com 2.841 entrevistados em todo o Brasil.

Aprovação e desaprovação de Lula empatam após tarifas de Trump, aponta pesquisa Atlas
Reação firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às sobretaxas de 50 % impostas por Donald Trump impulsionou sua avaliação, com aprovação e desaprovação em empate técnico(Ricardo Stuckert – PR)

Essa virada na percepção pública ocorre logo após o anúncio, feito por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de que o país aplicará uma tarifa de 50 % sobre produtos brasileiros, em especial commodities como aço e café. A decisão, com impacto direto nas exportações nacionais, foi considerada abrupta por especialistas e gerou forte repercussão política. Lula reagiu rapidamente, classificando a medida como “hostil” e prometendo retaliações diplomáticas e comerciais com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

O impacto da resposta de Lula foi percebido na pesquisa: sua aprovação subiu de 47,3 % em junho para 49,9 % em julho, enquanto sua desaprovação caiu de 51,8 % para 50,3 %. Essa oscilação pode estar relacionada à percepção de parte significativa da população de que o presidente demonstrou firmeza e capacidade de liderança diante da ameaça internacional. Segundo o levantamento, 60,2 % dos brasileiros disseram aprovar a condução da política externa do governo Lula nesse episódio, e 61,1 % consideraram sua postura mais competente do que a do ex-presidente Jair Bolsonaro em situações similares.

Além disso, a pesquisa aponta que 62,2 % da população considera injustificadas as tarifas impostas por Trump e 51,2 % defendem que o Brasil adote sanções econômicas contra os Estados Unidos como forma de resposta. Apesar da boa recepção à atuação do governo, os impactos econômicos já começaram a ser sentidos: o real teve queda de quase 3 % frente ao dólar, o índice Bovespa recuou e ações de empresas como Embraer sofreram desvalorizações significativas após o anúncio.

A situação representa um ponto de inflexão no cenário político nacional. A resposta de Lula ao chamado “tarifaço” parece ter recuperado parte de seu capital político, desgastado por crises internas e tensões econômicas. O episódio serviu para reforçar uma imagem de liderança ativa na arena internacional, o que pode ter eco positivo entre os eleitores em um momento decisivo do seu mandato. Ainda assim, a divisão praticamente equitativa entre aprovação e desaprovação sinaliza que o governo segue enfrentando um ambiente político polarizado, onde episódios pontuais, como a crise com os Estados Unidos, têm peso decisivo na opinião pública.

A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95 %, sendo realizada por meio de painéis online. Ela confirma que, mesmo diante de desafios internacionais, medidas assertivas e um discurso nacionalista podem, momentaneamente, sustentar ou até reverter a percepção popular sobre o governo. Lula, ao adotar uma postura firme frente ao presidente dos Estados Unidos, parece ter encontrado uma brecha para reequilibrar sua imagem pública — pelo menos por ora.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
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