Eleições

MPF apura suposta ação da Polícia Militar contra Haddad em São Paulo

Procuradoria Eleitoral pediu identificação de policiais, rotas e ordens de serviço para esclarecer episódio envolvendo o candidato em São Paulo

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo quer reconstruir a movimentação de uma equipe da Polícia Militar após um episódio envolvendo Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista. A apuração conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) busca esclarecer por que uma viatura esteve próxima ao carro usado pelo candidato na noite de 11 de agosto e se a atuação fazia parte do patrulhamento regular.

MPF apura suposta ao da Polcia Militar contra Haddad em So Paulo
Procuradoria Eleitoral pediu identificação de policiais, rotas e ordens de serviço para esclarecer episódio envolvendo o candidato em São Paulo(Divulgação)

O procedimento foi instaurado a partir de uma representação da coligação “Desperta SP”. O grupo afirma que Haddad retornava de um evento na Faculdade de Direito da USP, no Centro da capital, quando uma viatura teria direcionado o farol para o interior do veículo em que ele estava.

Depois de deixar o candidato em sua residência, o motorista teria percebido que continuava sendo acompanhado por policiais durante parte do trajeto. A alegação será confrontada com documentos operacionais e informações das autoridades de segurança.

MPF quer reconstruir rota de viatura

Uma das principais frentes da apuração será verificar onde a equipe policial deveria estar e quais atividades estavam previstas para aquela noite. O procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt solicitou informações sobre o policiamento realizado na região onde mora Haddad.

A Polícia Militar deverá apresentar dados que permitam identificar a viatura e os agentes que estavam na equipe. Também foram requisitados documentos sobre itinerários de patrulhamento, locais previstos para estacionamento das viaturas e ordens de serviço.

O período analisado abrange os primeiros 11 dias de agosto. Com esse material, a Procuradoria poderá comparar o planejamento do batalhão com o deslocamento atribuído aos policiais na noite do episódio.

SSP diz que policiais procuravam suspeitos

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo sustenta que a presença policial estava relacionada a uma operação contra criminosos conhecidos pela prática do “quebra-vidro”, modalidade na qual objetos são furtados ou roubados após vidros de veículos serem quebrados.

Essa explicação passou a ser questionada pela defesa eleitoral de Haddad. A coligação aponta possíveis diferenças entre horários e veículos mencionados nas versões apresentadas sobre a ocorrência.

Cabe agora à investigação verificar se a movimentação da viatura estava relacionada a essa atividade policial ou se há elementos que indiquem outra motivação.

Representação cita possibilidade de intimidação

A denúncia encaminhada à Procuradoria também insere o episódio no contexto da campanha eleitoral. Dois dias antes, em 9 de agosto, Haddad havia participado de um debate televisionado e feito críticas à política de segurança pública do estado.

Com base nessa sequência de acontecimentos, a coligação levantou a hipótese de uma eventual ação de intimidação ou retaliação. Trata-se, neste momento, de uma alegação dos representantes do candidato, e não de uma conclusão das autoridades.

A investigação deverá buscar elementos objetivos para determinar se existe alguma conexão entre os fatos ou se a presença dos policiais ocorreu exclusivamente por razões operacionais.

Caso também chega ao Ministério Público estadual

A Procuradoria Regional Eleitoral encaminhou uma cópia da representação ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O órgão estadual poderá analisar separadamente se os fatos descritos apresentam elementos relacionados a eventuais crimes, como ameaça ou constrangimento ilegal.

Já no âmbito eleitoral, a Secretaria da Segurança Pública deverá esclarecer se existiu alguma determinação específica para atuação policial no Planalto Paulista, região onde está a residência de Haddad. Caso tenha havido uma ordem desse tipo, deverão ser apresentadas as razões que a fundamentaram.

O procedimento do MPF teve a tramitação prorrogada por mais 90 dias. A extensão do prazo permitirá receber e analisar as informações requisitadas aos órgãos de segurança.

Até a conclusão das diligências, não há constatação de que policiais tenham cometido irregularidade, nem comprovação de que Haddad tenha sido alvo de perseguição. A apuração tem caráter preliminar e busca estabelecer a dinâmica dos acontecimentos antes de qualquer conclusão.

Um comentário

  1. Bundão sendo governador não terá mais policia na rua,eu queria uma patrulha aqui na area pra inibir moto e bicicleta barulhenta dia e noite enchendo as medidas e o bundão tá asustadinho,seja homem seu fala mansa.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
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