Política

Ucrânia: Bolsonaro conversa com Zelensky

O presidente Jair Bolsonaro teve uma conversa por telefone nesta segunda-feira (18/07) com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. Segundo o ucraniano, ambos falaram sobre medidas para desbloquear as exportações de trigo da Ucrânia, cujo escoamento está prejudicado pela invasão russa. Zelenski também frisou a importância de mais países aderirem às sanções do Ocidente contra a Rússia

“Tive uma conversa com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Informei sobre a situação no front. Discuti a importância de retomar as exportações de grãos para evitar uma crise global de alimentos provocada pela Rússia. Peço a todos os parceiros que se unam às sanções contra o agressor”, escreveu Zelenski no Twitter.

Crise mundial de alimentos

Volodimyr Zelensky, presidente da Ucrânia, fala ao telefone sentado à mesa. A mão esquerda está estendida sobre a mesa, onde há folhas de papeis.
Volodimyr Zelensky, presidente da Ucrânia (Rede Social)

Neste período do ano, a Ucrânia normalmente exporta de 6 milhões a 7 milhões de toneladas de grãos por mês. Em junho, contudo, a “grande cesta de pão do mundo”, como costuma ser chamada, só pôde embarcar 2,2 milhões de toneladas, segundo a Associação Ucraniana de Cereais. Outras 22 milhões de toneladas da safra de 2021 estão retidas devido à guerra.

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas expressou preocupação especial com o impacto do bloqueio da exportação de alimentos sobre a fome na África. Há iniciativas e negociações em andamento para aumentar a exportação de grãos ucranianos por meio da Polônia, e a Turquia também se ofereceu para buscar uma alternativa conjunta para o problema, ainda sem solução à vista.

No final de junho, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, afirmou que a Rússia comete um “crime de guerra” ao bloquear a exportações de grãos da Ucrânia, o que Moscou nega estar fazendo. Alguns analistas avaliam que a Rússia pretenderia usar o aumento da fome mundial como uma forma de pressionar os líderes do Ocidente a retirar o apoio à Ucrânia na guerra.

Postura de Bolsonaro sobre o conflito

Jair bolsonaro, homem branco, de terno e gravata durante discurso. Ao fundo, uma cortina azul escura
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil (Antônio Cruz/Agência Brasil)

Desde o início da guerra na Ucrânia, Bolsonaro vem tentando manter uma posição não alinhada aos interesses de Moscou ou de Kiev. O presidente brasileiro tem uma relação amistosa com o presidente russo, Vladimir Putin, com quem se reuniu em Moscou poucos dias antes do início da guerra, e não chegou a condenar a invasão russa do país vizinho como os países ocidentais – mas tampouco faz críticas duras às sanções do Ocidente aplicadas contra Moscou, como a China. 

Foi a primeira vez que Bolsonaro e Zelenski conversaram, desde o começo da guerra, em 24 de fevereiro. O governo brasileiro não divulgou detalhes sobre o telefonema.

No início de julho, Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, disseram que o Brasil quer comprar diesel da Rússia, e que um acordo estaria sendo negociado com o país para adquirir o combustível a um preço mais baixo, em dois meses. Neste domingo, Bolsonaro afirmou que essas negociações estavam bastante avançadas, sem dar maiores detalhes.

bl/av (ots)

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

Leia também

Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios