São Paulo

PRF: Silvinei Vasques é exonerado do cargo de diretor

A 11 dias do fim, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) exonerou o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF),Silvinei Vasques. A exoneração, assinada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, foi publicada na edição desta terça-feira (20/12) do Diário Oficial da União.

Vasques estava no comando da PRF em 30 de outubro, dia do segundo turno da eleição presidencial, quando houve bloqueios nas estradas que dificultaram a chegada de eleitores aos locais de votação, sobretudo no Nordeste, onde o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), liderava as pesquisas, o que levantou suspeitas de uma tentativa coordenada de interferência indevida no processo eleitoral. Vasques também é réu por improbidade administrativa por pedir votos para Bolsonaro durante a campanha eleitoral.

Silvinei Vasques é um homem de pele clara, cabelos raspados do lado e penteado para o lado. Aparece segurando folhas de papel enquanto olha para frente.
Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em 25 de novembro, o juiz José Arthur Diniz Borges, da 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro, aceitou uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Vasques. O MPF afirma que ele utilizou seu cargo público de maneira indevida e com desvio de finalidade e que usou símbolos e imagens da PRF com o objetivo de favorecer a campanha à reeleição de Bolsonaro. Às vésperas do segundo turno, em 29 de outubro, o diretor-geral da PRF pediu votos para Bolsonaro numa rede social e apagou o post em seguida. 

Na época, a PRF emitiu nota em que dizia que acompanhava “com naturalidade a determinação”.

Inquérito da PF

Vasques também é alvo de um inquérito da Polícia Federal (PF) que apura a atuação do comandante no segundo turno da eleição e nos subsequentes bloqueios em rodovias do país.

A investigação corre sob sigilo e foi aberta a pedido do MPF para apurar se Vasques cometeu os crimes de prevaricação e violência política.

O inquérito se concentra em dois episódios. O primeiro é relativo à atuação da PRF no dia do segundo turno. Na data, diversos eleitores compartilharam vídeos de operações da PRF parando e revistando veículos, inclusive ônibus. No dia anterior, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, havia proibido a realização de operações pela PRF no dia da votação.

O segundo episódio alvo da Polícia Federal diz respeito aos bloqueios ilegais de rodovias montados por bolsonaristas para contestar o resultado da eleição. O inquérito apura se Vasques foi omisso em relação aos atos de cunho golpista.

A PRF foi acusada de inação nos primeiros dias dos bloqueios. As estradas só começaram a ser liberadas depois da intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dois dias após a votação, em 1º de novembro, o ministro Moraes determinou que as polícias militares dos estados possuem plenas atribuições constitucionais e legais para atuar na desobstrução ilegal de rodovias bloqueadas, inclusive as federais. Foi somente após a decisão que governadores e polícias passaram a agir na liberação dos bloqueios, que em seu auge chegaram a atingir mais de 400 pontos em quase todos os estados brasileiros.

le/as (ots)

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios