Feminicídios caem 60,9% em julho no estado de São Paulo
Estado registrou nove feminicídios em julho, contra 23 no mesmo mês de 2025; no acumulado do ano, porém, números permanecem praticamente estáveis
O número de feminicídios no estado de São Paulo caiu 60,9% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram registrados nove casos, contra 23 em julho de 2025. Na capital paulista, as ocorrências passaram de sete para três no mesmo recorte, uma redução de 57,1%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Apesar da queda expressiva no mês, o balanço acumulado mostra um cenário de estabilidade no estado. Entre janeiro e julho, foram 150 feminicídios em 2026, ante 151 no mesmo período de 2025, diferença de apenas 0,7%.
Capital registra queda de 28,9% no acumulado do ano
Na cidade de São Paulo, a redução é mais acentuada quando considerados os sete primeiros meses. Os registros passaram de 38, em 2025, para 27 casos neste ano, queda de 28,9%.
Para a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), Cristiane Braga, os números de julho representam um resultado relevante, mas não permitem reduzir os esforços de prevenção.
Segundo a delegada, episódios de violência podem apresentar sinais anteriores de agravamento. Por isso, o atendimento rápido, o acolhimento das vítimas e o acesso aos mecanismos de proteção são considerados fundamentais para interromper o ciclo de agressões.
Mulher grávida foi resgatada na Zona Norte
Um caso registrado em julho exemplifica a atuação da rede estadual. No dia 21, um homem de 42 anos foi preso em flagrante na Zona Norte da capital sob suspeita de manter a companheira grávida em cárcere privado.
De acordo com o registro policial, a mulher também teria sido vítima de agressões, ameaças e violência sexual. A ocorrência teve início depois de uma denúncia encaminhada ao Disque-Denúncia.
A vítima, de nacionalidade filipina, foi encontrada no imóvel com o filho de 4 anos e recebeu atendimento especializado da Patrulha SP Mulher Segura.
Enquanto o caso era apresentado na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher, policiais receberam a informação de que o suspeito retornaria ao endereço. Ele foi localizado e conduzido à unidade policial.
Ainda segundo o boletim de ocorrência, o homem teria restringido a movimentação da companheira, retido documentos e celular e utilizado o filho do casal para ameaçá-la.
SP possui 144 Delegacias de Defesa da Mulher
A estrutura estadual de enfrentamento à violência contra a mulher conta atualmente com 144 Delegacias de Defesa da Mulher territoriais, das quais 20 funcionam durante 24 horas.
O atendimento é complementado pelas Salas DDM 24 horas, instaladas dentro de delegacias convencionais para ampliar o acesso de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar aos serviços especializados.
A rede inclui ainda a Cabine Lilás, da Polícia Militar. Chamadas relacionadas à violência doméstica recebidas pelo 190 podem ser direcionadas a policiais femininas, que prestam orientações sobre medidas protetivas, direitos e serviços disponíveis.
Aplicativo possui botão do pânico
Outra ferramenta disponível é o aplicativo SP Mulher Segura. A plataforma permite registrar boletins de ocorrência pela internet e localizar unidades policiais.
O aplicativo também oferece um botão do pânico. Quando acionado, o recurso comunica a polícia e um contato de emergência previamente cadastrado.
Já a Patrulha SP Mulher Segura atua no acompanhamento de casos de violência doméstica e na prevenção de novas agressões, inclusive em ocorrências relacionadas aos atendimentos da Cabine Lilás e aos acionamentos realizados pelo aplicativo.
Para a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Cavalli, o acompanhamento após o primeiro atendimento ajuda as equipes a identificar sinais de risco e agir preventivamente diante da possibilidade de novas agressões.
Mesmo com a redução registrada em julho, as autoridades reforçam que denúncias e intervenções precoces continuam sendo essenciais para evitar o agravamento da violência.







