Polícia prende trio suspeito de aplicar ‘golpe do motel’ em São Paulo
Suspeitos fotografavam veículos na saída de motéis e usavam as placas para localizar vítimas e familiares; grupo exigia dinheiro para não divulgar as imagens

A Polícia Civil prendeu três homens suspeitos de envolvimento em um esquema de extorsão conhecido como “golpe do motel”, nesta segunda-feira (21), em São Paulo. As prisões foram realizadas por policiais da 1ª Delegacia Antissequestro (DAS) na região do Jardim Ângela, Zona Sul da capital.
Os investigados têm 24, 25 e 28 anos e tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça. Segundo a Polícia Civil, o homem de 28 anos possui antecedentes criminais por roubo.
De acordo com a investigação, os suspeitos ficavam nas proximidades de motéis para fotografar pessoas e veículos que deixavam os estabelecimentos. Depois, utilizavam as placas dos automóveis para obter informações sobre as vítimas e seus familiares e iniciar as ameaças.
Criminosos ameaçavam enviar fotos para familiares
Segundo o delegado Eduardo Bernardo Pereira, divisionário da DAS, os suspeitos faziam campana nas proximidades dos estabelecimentos e registravam principalmente as placas dos veículos.
A partir dessas informações, a investigação aponta que o grupo procurava dados das vítimas e de seus parentes em grupos fechados nas redes sociais. Em seguida, entrava em contato por aplicativos de mensagens e exigia dinheiro para não divulgar as fotografias aos familiares.
“Eles tiravam fotos da pessoa saindo do motel, com a placa do carro, e depois pediam dinheiro para não divulgar aquelas imagens aos familiares”, explicou o delegado Eduardo Bernardo Pereira.
Vítima era extorquida desde janeiro de 2025
A investigação teve início depois que um homem procurou a Polícia Civil e denunciou que vinha sendo extorquido desde janeiro de 2025.
Segundo o relato feito à polícia, um dos suspeitos enviou por aplicativo de mensagens uma fotografia do veículo da vítima deixando um motel na região da Ponte do Limão, Zona Norte de São Paulo.
Após enviar a imagem, o suspeito passou a exigir dinheiro para não compartilhar o registro com familiares da vítima.
A denúncia levou a Delegacia Antissequestro a iniciar um trabalho de inteligência, com cruzamento de informações, recursos tecnológicos e monitoramento dos investigados.
Investigação identificou divisão de tarefas
As apurações da Polícia Civil apontaram que os três investigados exerciam funções diferentes no esquema.
Parte do grupo seria responsável pelas ameaças e extorsões, enquanto outros envolvidos atuavam na movimentação financeira dos valores obtidos com o crime.
Com o avanço das investigações, a Justiça decretou as prisões temporárias dos três homens. Eles foram localizados pelos policiais na região do Jardim Ângela.
Os suspeitos permanecem à disposição da Justiça enquanto a Polícia Civil prossegue com as investigações.
Polícia orienta vítimas a não pagar
A Polícia Civil alerta que pessoas vítimas desse tipo de extorsão não devem realizar pagamentos aos criminosos.
A recomendação é procurar uma delegacia e preservar todas as possíveis provas do crime, como mensagens, fotografias, números de telefone e outros registros das ameaças. Esse material pode auxiliar os investigadores na identificação dos envolvidos e na comprovação da extorsão.
O delegado Eduardo Bernardo Pereira também alertou que efetuar o pagamento não significa necessariamente o fim das ameaças.
“Se pagar, a tendência é ficar pior”, afirmou o delegado ao orientar possíveis vítimas a procurarem a polícia.
A investigação continua para esclarecer a atuação dos suspeitos e verificar a possível existência de outras vítimas.







