Política

Câmara aprova urgência para suspender decreto do IOF e impõe derrota ao governo

Projeto que pode barrar aumento do imposto sobre operações financeiras avança com amplo apoio político; votação do mérito ainda sem data

Na noite desta segunda-feira (16), a Câmara dos Deputados aprovou, por 346 votos a 97, o requerimento de urgência para a tramitação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/2025, que visa suspender os efeitos do decreto do governo federal que reformula alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Com isso, o projeto poderá ser votado diretamente no plenário, sem passar por comissões, acelerando sua análise – embora o mérito ainda não tenha data marcada para ser avaliado.

Plenário da Câmara dos Deputados durante votação que aprovou a urgência para suspender o decreto do IOF; medida representa revés político para o governo
Plenário da Câmara dos Deputados durante votação que aprovou a urgência para suspender o decreto do IOF(Lula Marques – Agência Brasil)

A iniciativa partiu do deputado Fernando Zucco (PL-RS), logo após a publicação do decreto do IOF, que inclui medidas como elevação da tributação sobre apostas online (de 12% para 18%) e aumento da CSLL das fintechs (de 9% para 15%), além da inclusão de isentas, como LCI e LCA, na incidência do imposto.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reafirmou que a aprovação da urgência deixa claro o descontentamento da Casa com a manutenção de um modelo de ajuste fiscal baseado no aumento da carga tributária sem corte de despesas. “O clima na Câmara não é favorável para o aumento de impostos com objetivo arrecadatório para resolver nossos problemas fiscais”, afirmou.

A votação revelou apoio político amplo, incluindo partidos da base do governo. O líder da oposição, deputado Zucco, ressaltou o argumento do excesso de gastos públicos com viagens e diárias, estimando esse valor em cerca de R$ 7 bilhões. Já figuras como Alex Manente (Cidadania-SP) reforçaram que o País precisa cortar na despesa pública antes de recorrer a tributação.

Do campo governista, houve críticas ao formato da urgência, mas também reconhecimento de que a medida penaliza principalmente contribuintes de maior renda. Lindbergh Farias (PT-RJ) e Talíria Petroni (PSOL-RJ) defenderam que a tributação adicional incide sobre o chamado “andar de cima”, criticando ainda o financiamento de emendas parlamentares e questionando priorização política sobre manutenção do gasto público.

A oposição interpretou a aprovação como uma derrota simbólica ao governo Lula e segue pressionando para votação do mérito ainda nesta semana, embora o foco dos parlamentares seja a pausa causada pelas festas juninas e folgas de recesso.

O que vem a seguir: com o trâmite agilizado, o PDL 314/2025 aguarda análise do mérito em plenário. O governo tem procurado contrapor o movimento com uma Medida Provisória que reajusta o Imposto de Renda sobre aplicações até R$ 31 bilhões em dois anos, na tentativa de equilibrar os impactos do IOF . A Câmara, por sua vez, segue sob forte influência do centrão, que pressiona por cortes de despesas e controle sobre o ajuste fiscal.

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios