São Paulo

Boeing planeja demitir 17 mil funcionários, 10% da força de trabalho

Greve teria prejudicado linha de produção e atrasado entrega de aeronaves

A empresa aeroespacial americana Boeing anunciou na sexta-feira (11/20) que planeja cortar 17.000 empregos, ou seja, 10% de sua força de trabalho global. A decisão foi tomada após uma previsão de perdas significativas para o terceiro trimestre, após uma greve de trabalhadores nas instalações da empresa em Seattle.

Os funcionários da Boeing afiliados à Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM) iniciaram as paralisações em 13 de setembro após rejeitarem por ampla maioria uma oferta salarial. A greve, envolvendo 33.000 trabalhadores, interrompeu a produção dos aviões Boeing 737 Max, 767 e 777X.

O diretor-executivo da Boeing, David Calhoun, afirmou que a empresa precisa redefinir sua força de trabalho para “se alinhar à nossa realidade financeira”. Ele disse que os cortes “incluirão executivos, gerentes e funcionários”.

Em outro comunicado, a Boeing, que divulgará os lucros do terceiro trimestre em 23 de outubro, informou que espera obter uma receita de 17,8 bilhões de dólares (R$ 99 bilhões), além de um prejuízo por ação de 9,97 dólares e fluxo de caixa operacional negativo de 1,3 bilhão.

Atraso na entrega do 777X

Segundo Calhoun, a Boeing informou aos clientes que projeta a partir de agora para 2026 as primeiras entregas dos modelos 777X, ao invés de 2025. O atraso se deve aos desafios que a empresa enfrentou no desenvolvimento da aeronave, assim como à suspensão dos testes de voo e à greve.

A Boeing já havia enfrentado problemas de certificação com o 777X que atrasaram significativamente o lançamento do avião.

O fechamento de um acordo para pôr fim à greve é visto como fundamental para a empresa. A agência de classificação S&P estima que a greve esteja custando à Boeing 1 bilhão de dólares por mês, além de colocá-la em risco de perder sua valiosa classificação de crédito de categoria de investimento.

Bem antes do início da greve, a empresa já lutava para se recuperar dos estragos causados à sua reputação pela explosão em pleno voo de uma janela e um peça da fuselagem em um avião novo em janeiro. O incidente – apenas um entre vários protagonizados pela Boeing – expôs falhas nos protocolos de segurança e levou as agências reguladoras americanas a restringirem a produção da empresa.

rc (AFP, Reuters)

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

Leia também

Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios