México comenta expulsão de embaixadora da Bolívia
Por Marieta Cazarré

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Em nota publicada hoje (30), o Ministério de Relações Exteriores do México afirmou que a decisão boliviana de declarar persona non grata a embaixadora mexicana no país, Maria Teresa Mercado, foi uma decisão de “caráter político”.
O órgão afirmou ainda ter instruído a embaixadora a retornar ao México “para proteger sua segurança e integridade”. A embaixada do México na Bolívia ficará a cargo de Ana Luisa Vallejo, atual chefe da chancelaria no país.
“O governo do México confirma que as ações da nossa embaixadora, que ingressou no Serviço de Relações Exteriores do México em 1982 e obteve condecorações de países como Dinamarca e Holanda, sempre cumpriram os princípios de política externa consagrados na Constituição Política dos Estados Unidos Mexicanos e no Direito Internacional, razão pela qual consideramos essa decisão de natureza política”, diz a nota.
Em outro comunicado, divulgado no dia 26 de dezembro, o Ministério das Relações Exteriores Mexicano já havia comentado sobre o posicionamento boliviano. O comunicado tratava sobre a “persistência de assédio à embaixada e à residência oficial do México na Bolívia”.
“O subsecretário anunciou que mais de 50 pessoas, incluindo civis, policiais e militares, chegaram em mais de dez veículos à residência oficial do México. Por isso, reiterou a posição do México sobre a tradição de asilo e denunciou o assédio ao pessoal diplomático mexicano”, afirmava a nota do último dia 26.
O comunicado dizia ainda que a comunicação com as autoridade bolivianas sempre foi feita através dos canais diplomáticos e que, devido aos constrangimentos, o México recorrerá à Corte Internacional de Justiça, principal órgão judicial das Nações Unidas, para aplicação do direito internacional.
“O que o México quer, essencialmente, é que cessem os atos que violam a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, uma vez que a presença de militares, oficiais e policiais (às portas da embaixada mexicana) é um ataque contra esse tratado internacional, porque compromete a dignidade e tranquilidade de nossas instalações diplomáticas em La Paz”, disse o texto.
Posição boliviana
O governo da Bolívia declarou hoje que funcionários das embaixadas do México e da Espanha em La Paz feriram gravemente a soberania e a dignidade do povo boliviano com atividades que violam a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.
A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, afirmou que o”governo constitucional decidiu declarar personas non gratas a embaixadora do México na Bolívia, María Teresa Mercado, a encarregada de negócios da Espanha na Bolívia, Cristina Borreguero, o cônsul da Espanha na Bolívia, Álvaro Fernández, e o grupo dos diplomatas supostamente encapuzados e armados”.
Áñez referia-se a autoridades estrangeiras que supostamente tentaram “encobrir e proteger criminosos que cometeram delitos de rebelião, levante armado e terrorismo”, em referência aos colaboradores do ex-presidente Evo Morales.
De acordo com o governo boliviano, pessoas encapuzadas a bordo de veículos com placas diplomáticas tentaram entrar na residência da embaixadora mexicana na última sexta-feira, em uma operação para ajudar ex-autoridades bolivianas a fugir do país.




