Segurança

GCM afasta guardas que atiraram pelas costas de adolescente

Por Maria Teresa Cruz

Prefeitura de Santo André afirma que GCM agiu dentro da legalidade e informa que Corregedoria afastou agentes até o fim das investigações

Os GCMs (Guarda Civil Metropolitano) que balearam o estudante Gabriel Bignardi Vital, 17 anos, na quinta-feira (25/12) foram afastados temporariamente de suas funções até que as investigações sobre o caso sejam concluídas. Eles continuam recebendo seus salários normalmente.

A informação foi confirmada nesta sexta-feira (27/12) pela Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Segurança Cidadã. Quem solicitou o afastamento dos agentes foi a Corregedoria do órgão. 


Relembre o caso

http://spagora.com.br/gcm-atira-pelas-costas-nao-me-mata-sou-filho-de-policial/policia/

A secretaria defendeu a ação dos guardas municipais, informando que eles agiram “de acordo com o ato de natureza infracional e desobediência do infrator” e que a versão do boletim de ocorrência registrado no 1º DP comprova isso. “Caso haja algum fato novo que legitime uma nova linha de investigação, a administração municipal, bem como a GCM, estão à disposição para a realização de uma nova diligência”, diz nota. 

Gabriel estava pilotando a moto da mãe dele, quando recebeu a ordem de parada da GCM após furar um sinal vermelho na noite de Natal, na altura do Parque Ana Brandão e perto de onde mora. Segundo familiares, o estudante é fã de motos, mas ainda não tinha habilitação. Mesmo assim, juntou as economias e comprou uma moto que estava no nome da mãe dele, Patrícia, que morreu de insuficiência respiratório no sábado (21/12).

Tio da vítima, Guerreiro Vital afirma que, provavelmente, o adolescente ficou com medo de parar por estar sem a habilitação. “Imagino que quando a GCM mandou ele parar, ele pensou na moto que estava com documento no nome da mãe, que não tinha habilitação, deve ter ficado assustado”, declarou à Ponte na quinta-feira (26/12). Depois de ser baleado, Gabriel caiu e os guardas correram até ele. “Por uma ironia, meu irmão [pai do Gabriel] é guarda municipal. Foi então que o Gabriel gritou: ‘não me mata, sou filho de polícia’. Foi a sorte, foi o grito antes da morte, foi o que salvou. Os guardas baixaram as armas, mas mesmo assim se aproximaram e chegaram a pisar nele”, contou o líder comunitário.

Vital agradeceu a Ponte por ter contado a história de Gabriel, já que, segundo ele, os portais de notícias locais adotaram uma narrativa de criminalizar o jovem. “Graças à Ponte as coisas estão mudando no caso do meu sobrinho. Obrigado”, escreveu à reportagem.

*Esta reportagem foi publicada originalmente pela Ponte.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
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