Prefeitura embarga obras de construtoras após desabamento na Penha
Prefeitura também suspendeu novos pedidos de alvará de empresas ligadas ao prédio que caiu e matou seis pessoas na Zona Leste

A Prefeitura de São Paulo determinou nesta segunda-feira (14) o embargo de todas as obras em andamento na capital vinculadas às construtoras envolvidas no prédio que desabou na Penha, Zona Leste, e deixou seis mortos. A medida foi adotada pela Controladoria Geral do Município (CGM) enquanto avançam as investigações sobre as irregularidades na construção.
Além da paralisação das obras, a administração municipal suspendeu a análise de novos pedidos de alvará apresentados pelas empresas envolvidas. A decisão amplia as medidas tomadas após o colapso do edifício na Rua Tequici, ocorrido na madrugada de sábado (12).
Prefeitura amplia apuração após desabamento
A investigação administrativa tenta esclarecer como a construção continuou avançando apesar de fiscalizações, multas e interdições registradas nos últimos anos.
A obra começou em 2019 e chegou a ser interditada por irregularidades. Em 2023, um novo alvará foi concedido sob a condição de que a estrutura existente fosse demolida antes da continuidade do empreendimento. A demolição, porém, é um dos pontos agora investigados pela Prefeitura.
A Controladoria também apura a atuação de agentes públicos responsáveis pelos procedimentos de fiscalização e licenciamento relacionados ao imóvel.
Servidora é afastada durante investigação
Uma servidora que participou do processo relacionado à obra foi afastada preventivamente por até 120 dias pela Controladoria Geral do Município. Ela havia participado do procedimento que registrou a demolição da estrutura anterior em 2024.
O afastamento é uma medida administrativa adotada durante a apuração e, por si só, não representa conclusão sobre eventual responsabilidade da funcionária.
A Polícia Civil também investiga as circunstâncias do desabamento e a atuação dos responsáveis pelo empreendimento. A perícia deverá ajudar a determinar o que provocou o colapso da estrutura.
Desabamento na Penha matou seis pessoas
O prédio em construção desabou durante a madrugada de sábado e atingiu uma residência vizinha onde vivia uma família de imigrantes bolivianos. O imóvel também era utilizado como oficina de costura.
Seis pessoas morreram. A última vítima localizada pelos bombeiros foi uma menina de 7 anos, encontrada nos escombros no domingo (13). Com a localização da criança, as buscas foram encerradas.
Duas pessoas sobreviveram ao desabamento.
Justiça decretou três prisões temporárias
A investigação criminal também levou a Justiça a determinar a prisão temporária de três pessoas relacionadas à construtora New Home.
Ronaldo Vivacqua, apontado pela investigação como sócio oculto da empresa, foi preso no domingo. A Justiça também decretou as prisões temporárias do engenheiro Cristiano Vivacqua e de Isis Brandão.
A defesa dos envolvidos contesta as acusações e sustenta que havia autorização judicial para a continuidade da construção. A responsabilidade pelo desabamento ainda é investigada e dependerá das conclusões da perícia e das demais apurações.







