Transporte Público

Prefeitura de SP avalia intervenção na A2 Transportes após operação contra o PCC

Gestão Ricardo Nunes determinou o afastamento de dois diretores em até 24 horas e criou grupo para analisar contratos e possíveis irregularidades na empresa de ônibus

Prefeitura de SP avalia interveno na A2 Transportes aps operao contra o PCC
Gestão Ricardo Nunes determinou o afastamento de dois diretores em até 24 horas(Divulgação)

A Prefeitura de São Paulo avalia intervir na A2 Transportes após a empresa ser citada nas investigações da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) para apurar a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte coletivo.

O prefeito Ricardo Nunes determinou que a empresa afaste os diretores Julio Salvador Filho e Paulo Siqueira Korek Farias em até 24 horas. Segundo o prefeito, caso a determinação não seja cumprida, a administração municipal fará a intervenção na companhia.

A A2 Transportes opera linhas municipais principalmente na Zona Sul de São Paulo.

Prefeitura cria grupo para analisar empresa

Além da determinação para o afastamento dos diretores, a Prefeitura criou um grupo de trabalho para analisar os elementos apresentados pela investigação.

O grupo reúne representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município, da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte.

A administração pretende analisar contratos, documentos, vínculos e eventuais irregularidades envolvendo a A2 Transportes. Entre as medidas que poderão ser adotadas está justamente a intervenção na concessionária.

A Prefeitura já tomou uma medida semelhante em 2024, quando interveio na Transwolff e na UpBus após as empresas serem atingidas pela Operação Fim da Linha.

O que diz a investigação

A Operação Vectura Corrupta investiga a suposta infiltração do PCC em empresas responsáveis pelo transporte coletivo.

Segundo elementos da investigação reproduzidos em decisão judicial, 12 das 22 empresas que operam o sistema de ônibus da capital seriam, em tese, controladas por integrantes, representantes ou pessoas ligadas à facção criminosa.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e utilização de empresas do setor para movimentar recursos de origem criminosa.

No caso da A2, investigadores analisaram diálogos que, segundo a decisão judicial, indicariam a utilização de uma conta bancária da empresa em uma negociação envolvendo a venda de 63 ônibus da Translider.

Os elementos fazem parte de uma investigação em andamento e não representam condenação dos envolvidos.

A2 nega ligação com o PCC

Em manifestação divulgada após a operação, a A2 Transportes negou qualquer envolvimento com o PCC e também rejeitou as suspeitas de lavagem de dinheiro.

A empresa afirmou que seus recursos financeiros são provenientes dos contratos e pagamentos feitos pela Prefeitura pelos serviços prestados.

Paulo Korek também afirmou considerar que as movimentações em torno da companhia teriam, em sua avaliação, um componente político. A empresa declarou ainda que está à disposição das autoridades e que pretende colaborar com as investigações.

Operação mira esquema no transporte

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.

A investigação vai além da A2 e apura um suposto esquema envolvendo empresas de transporte, operadores financeiros, agentes públicos e pessoas apontadas como ligadas ao PCC.

Entre os investigados está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite. Ele é alvo de mandado de prisão temporária e nega participação nas irregularidades investigadas.

As investigações continuam e podem provocar novas medidas administrativas sobre as empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

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