Investigação sobre PCC alcança concessionárias de linhas de bairro em São Paulo
Apurações da Polícia Civil e do Ministério Público apontam suspeitas envolvendo empresas do transporte coletivo; casos incluem possíveis crimes como lavagem de dinheiro, extorsão e relações com integrantes da facção

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) ampliou o alcance das suspeitas sobre a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da cidade de São Paulo.
As apurações atingem as concessionárias responsáveis pelas linhas locais, conhecidas como linhas de bairro, com exceção da operação anteriormente realizada pela Transwolff, que passou ao controle da SPTrans após intervenção da Prefeitura.
As suspeitas não são iguais para todas as empresas. Os investigadores analisam situações distintas que incluem possíveis casos de lavagem de dinheiro, extorsão e relações entre pessoas ligadas às concessionárias e integrantes do crime organizado.
Empresas aparecem em diferentes investigações
Entre as empresas citadas nas apurações estão Transunião, MoveBus, A2 Transportes e Auto Bless, antiga Transcap.
Também aparecem em diferentes frentes de investigação nomes como Transwolff, UpBus, Alfa Rodobus, Allianz, Norte Bus, Spencer e Imperial.
A presença de uma empresa nas investigações não significa, por si só, que ela tenha cometido crimes. Algumas companhias negam irregularidades, enquanto outras ainda não haviam apresentado manifestação pública sobre os apontamentos divulgados.
Parte das empresas já havia aparecido em operações anteriores das autoridades paulistas.
Operação investiga suposto controle de empresas
A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17), investiga suspeitas de que empresas responsáveis pelo transporte coletivo teriam passado a ser administradas ou influenciadas por integrantes ou pessoas ligadas ao PCC.
A decisão judicial relacionada à operação menciona suspeitas envolvendo 12 empresas de ônibus que prestam serviços de transporte coletivo.
Além da possível utilização das companhias para lavagem de dinheiro, a investigação apura corrupção de servidores públicos e possíveis irregularidades relacionadas à obtenção e operação de contratos no setor.
A operação teve 16 pessoas como alvos de mandados de prisão e determinou buscas em 18 endereços de diferentes municípios paulistas.
Ex-presidente da SPTrans foi preso
Entre os presos na operação está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans.
Segundo a decisão judicial divulgada pela imprensa, os investigadores apontam que Oliveira teria mantido encontros periódicos com José Daniel Satilite, citado na investigação como possível operador ligado à facção.
A suspeita é de que os encontros tratassem de interesses relacionados às empresas de transporte público.
A defesa de Levi Oliveira informou que ainda não havia tido acesso integral aos autos e afirmou que adotará as medidas jurídicas cabíveis depois de conhecer os elementos utilizados para fundamentar a prisão.
Oliveira presidiu a SPTrans em dois períodos e também ocupou a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito.
Prefeitura analisa contratos
A Prefeitura de São Paulo criou um grupo de trabalho para analisar contratos, documentos e eventuais vínculos relacionados às empresas mencionadas nas investigações.
O grupo conta com integrantes da Procuradoria-Geral do Município, Controladoria-Geral, Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e SPTrans.
Uma das situações analisadas é a da A2 Transportes. A Prefeitura avalia uma possível intervenção na empresa e determinou o afastamento preventivo de dois diretores.
A administração municipal já realizou intervenções na Transwolff e na UpBus após investigações anteriores sobre suspeitas de ligação com o crime organizado.
Investigação deve ter novos desdobramentos
O avanço das investigações coloca novamente sob atenção o sistema de ônibus da capital paulista, responsável diariamente pelo deslocamento de milhões de passageiros.
As autoridades ainda analisam documentos, mensagens, movimentações financeiras e relações entre investigados.
Como os procedimentos continuam em andamento, novos nomes, empresas e medidas judiciais ou administrativas poderão surgir durante o avanço das apurações.
As empresas e pessoas mencionadas nas investigações têm direito à defesa, e as suspeitas apresentadas até o momento não representam condenação.







