São Paulo

Maceió sofre abalo sísmico e tem risco de formação de cratera gigante

O tremor, de magnitude de 0,39Ml, foi registrado pela Defesa Civil na noite desta sexta-feira (1º), próximo à mina 18 da Braskem. O solo ao redor da mina está afundando a uma velocidade de 1 centímetro por hora e pode desabar a qualquer momento.

A cidade de Maceió, em Alagoas, sofreu um abalo sísmico na noite desta sexta-feira (1º), próximo à mina 18 da Braskem, uma empresa petroquímica que extrai sal-gema na região. O tremor, de magnitude de 0,39Ml a 330m de profundidade, foi captado pela Defesa Civil de Maceió, que alertou todos os bairros próximos à mina sobre o risco de colapso e de formação de uma cratera gigante.

O solo ao redor da mina está afundando a uma velocidade de 1 centímetro por hora e pode desabar a qualquer momento(UFAL)

O abalo sísmico não alterou a velocidade do afundamento do solo na região, que se mantém em cerca de 1 centímetro por hora, considerando os monitoramentos da Defesa Civil feitos nas últimas 24 horas. O afundamento do solo é causado pela extração de sal-gema feita pela Braskem, que opera 35 minas na cidade.

O afundamento do solo afeta cinco bairros de Maceió: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. Cerca de 55 mil pessoas já foram obrigadas a deixar suas casas e seus negócios por causa do risco de colapso e de formação de uma cratera gigante. Nesse ritmo, o colapso na mina 18 da Braskem, localizada no bairro de Mutange, pode abrir uma cratera do tamanho do estádio do Maracanã, que tem capacidade para quase 80 mil pessoas.

A Defesa Civil informa que a área no entorno das minas deve ser evitada, inclusive o tráfego de embarcações na Lagoa Mundaú, onde parte das minas está localizada. A Defesa Civil também determinou que a Braskem parasse as atividades de preenchimento dos poços de mineração no Mutange até a conclusão das investigações.

A CPI da Braskem na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) aprovou a convocação do presidente interino da Braskem Brasil, Guilherme Gomes Lencastre, para depor sobre o abalo sísmico. A comissão também quer que a empresa pague uma indenização aos consumidores prejudicados.

O abalo sísmico em Maceió reacendeu o debate sobre os impactos ambientais e sociais da extração de sal-gema na região. A extração de sal-gema é uma atividade que consiste em retirar o sal das rochas subterrâneas, formando cavidades que podem se romper e provocar o afundamento do solo. A Braskem é a única empresa que realiza essa atividade no Brasil e é responsável por 80% da produção nacional de sal-gema.

O sal-gema é usado como matéria-prima para a produção de diversos produtos químicos, como o PVC, o cloro e a soda cáustica. A Braskem é a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e tem como principais clientes as indústrias de construção civil, automotiva, alimentícia, farmacêutica e de embalagens.

A Braskem afirma que segue as normas técnicas e ambientais na extração de sal-gema e que investe em medidas de prevenção e mitigação dos riscos. A empresa também diz que está colaborando com as autoridades e que está comprometida com a segurança e o bem-estar das comunidades afetadas.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

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