Último morador deixa Favela do Moinho após décadas de ocupação em SP
Último residente deixou a comunidade nesta terça-feira (15); cerca de 850 famílias fizeram parte do processo de reassentamento

O último morador da Favela do Moinho deixou a comunidade nesta terça-feira (15), encerrando uma etapa do processo de desocupação da área localizada na região central de São Paulo. A saída ocorreu após meses de demolições e reassentamento das famílias que viviam no local.
Manuel Severino Silva dos Santos era o último residente que permanecia na área. Ele viveu aproximadamente 20 anos no Moinho e deixou o local após conseguir acesso ao programa habitacional destinado às famílias da comunidade.
Cerca de 850 famílias deixaram a Favela do Moinho
A Favela do Moinho ocupava uma área entre linhas ferroviárias nos bairros de Campos Elíseos e Santa Cecília. O processo de retirada dos moradores ganhou força a partir de um acordo envolvendo os governos estadual e federal para viabilizar uma solução habitacional às famílias.
Cerca de 850 famílias foram incluídas no processo de reassentamento, segundo informações divulgadas sobre a operação. O modelo prevê moradias subsidiadas com recursos públicos.
A desocupação foi marcada por meses de negociações, demolições e também por conflitos e questionamentos de moradores e movimentos sociais sobre a condução do processo e as condições oferecidas às famílias.
Último morador conseguiu acesso a apartamento
Manuel havia permanecido no Moinho enquanto aguardava uma solução para sua situação. Inicialmente, ele não havia sido enquadrado no programa habitacional por causa dos critérios de renda considerados no processo.
O caso foi posteriormente reavaliado e ele conseguiu acesso ao financiamento de um apartamento. Com a mudança nesta terça, deixou a área onde viveu por aproximadamente duas décadas.
A saída permite que as últimas estruturas remanescentes da antiga comunidade sejam retiradas.
Área da Favela do Moinho deverá virar parque
O terreno ocupado pela Favela do Moinho pertencia à União e deverá ser destinado à implantação de um parque público. A transformação faz parte de um projeto mais amplo para a região central da capital paulista.
O entorno também está incluído nos planos de requalificação dos Campos Elíseos, região onde o Governo de São Paulo pretende instalar seu novo centro administrativo.
A saída do último residente encerra a ocupação habitacional do terreno, mas outras etapas ainda serão necessárias até que a área receba sua nova destinação.
Favela do Moinho ocupava área no centro de São Paulo
A comunidade se consolidou em uma área ferroviária onde funcionou o antigo Moinho Matarazzo. Ao longo das últimas décadas, tornou-se uma das ocupações mais conhecidas da região central da capital.
O local também foi atingido por incêndios e passou por diferentes tentativas de intervenção do poder público ao longo dos anos.
A retirada das famílias voltou ao centro do debate com o projeto de transformação urbanística da região. O acordo habitacional passou a prever a transferência dos moradores para outras moradias antes da conclusão da desocupação.
Com a saída do último residente nesta terça-feira, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à retirada das estruturas restantes e à futura utilização pública do terreno.







