São Paulo

Lira amplia redução parcial do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7.350

Relator do projeto eleva faixa de desconto, mantém alíquota de 10% para as altas rendas e amplia benefícios a 500 mil pessoas; proposta vai à comissão na próxima semana

O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), relator do projeto de reforma do Imposto de Renda (PL 1087/25), apresentou nesta quinta‑feira (10) uma versão revisada da proposta que amplia a faixa de renda beneficiada pela redução parcial do tributo, elevando o teto de R$ 7.000 para R$ 7.350 mensais. Com isso, cerca de 500 mil contribuintes passarão a contar com alívio fiscal maior, estendendo a isenção total para quem ganha até R$ 5.000 e o desconto proporcional para quem recebe até R$ 7.350.

Lira amplia redução parcial do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7.350
Relator do projeto eleva faixa de desconto, mantém alíquota de 10% para as altas rendas e amplia benefícios a 500 mil pessoas; proposta vai à comissão na próxima semana(Kayo Magalhães – Câmara dos Deputados)

Apesar do incremento no benefício da classe média, Lira optou por manter a alíquota mínima de 10% sobre rendas anuais que superam R$ 1,2 milhão, bem como a taxação de dividendos acima de R$ 50.000 mensais, contrariando as especulações que apontavam para reduções nessa cobrança. “Esse projeto foi construído para isentar completamente quem ganha até R$ 5 mil, proporcionalmente quem ganha até pouco mais de R$ 7 mil e para fazer justiça tributária neste país. Mas o princípio maior que se pregou é o da neutralidade”, declarou o relator.

O impacto financeiro da medida foi calculado em renúncia de arrecadação de cerca de R$ 31,25 bilhões em 2026, cifra que se elevará nos anos seguintes. O relatório justifica a ampliação com base em projeções de que a arrecadação advinda do imposto mínimo, da taxação de dividendos enviados ao exterior e do tributo sobre altos ganhos superará os custos, gerando excedente fiscal a partir de 2026. De fato, as compensações previstas e o imposto mínimo devem gerar receita de aproximadamente R$ 34 bilhões anuais.

Além disso, o texto de Lira excluiu dispositivos considerados pouco transparentes, como mecanismos vinculados à soma das alíquotas de pessoa física e jurídica, bem como garantiu que rendimentos de poupança, indenizações, pensões e aposentadorias por doença não sejam incluídos na base de cálculo do imposto mínimo. O relator defendeu que tais mudanças reforçam a coerência e facilitam a fiscalização do texto.

Com apresentação já ocorrida na Comissão Especial, o relatório terá pedido de vista coletiva e deve ser votado na próxima semana, com expectativa de seguir para análise no plenário em agosto.

A iniciativa de Lira agradou parlamentares governistas por manter a essência da proposta original, com isenção ampla à classe média, neutralidade fiscal e medidas de compensação — ainda que também enfrente críticas por manter tributos sobre a alta renda e dividendos.

Importância da medida

Com a ampliação do desconto até R$ 7.350, a reforma avança numa direção de distribuições mais equitativas de renda, beneficiando famílias da classe média e fortalecendo apelos por justiça fiscal. Ao mesmo tempo, a manutenção da alíquota de 10% nas rendas elevadas e na taxação de dividendos reflete o cuidado com a sustentabilidade orçamentária e a necessidade de preservar arrecadação. O desafio será equilibrar impacto social e responsabilidade fiscal na tramitação que se avizinha.

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

Leia também

Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios