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Operação Frankmobile prende 15 e apreende milhares de celulares e peças em SP

Operação contra a cadeia de celulares roubados prende 15 pessoas, apreende milhares de aparelhos e peças e coloca 17 empresas na mira

Operao Frankmobile mobiliza 17 mil agentes e mira rede de celulares roubados em SP
Operação contra a cadeia de celulares roubados prende 15 pessoas, apreende milhares de aparelhos e peças e coloca 17 empresas na mira(Governo de São Paulo)

A Operação Frankmobile terminou esta quinta-feira (10) com 15 pessoas presas durante uma ofensiva contra a cadeia de roubo, receptação, desbloqueio e revenda de celulares em São Paulo. A ação também apreendeu milhares de aparelhos e componentes eletrônicos em diferentes endereços investigados.

Segundo o balanço divulgado durante a operação, sete pessoas foram presas em cumprimento a mandados e outras oito em flagrante. O número ainda pode aumentar à medida que suspeitos conduzidos às delegacias sejam apresentados à autoridade policial.

A ação mobilizou mais de 1.700 agentes e cumpriu 84 mandados de busca e apreensão. A Justiça também havia autorizado sete prisões temporárias e medidas para bloquear e sequestrar mais de R$ 5 milhões em bens e valores.

Milhares de celulares e peças são apreendidos

O volume de material encontrado foi um dos principais resultados da operação. Em um dos endereços, as autoridades localizaram cerca de 5 mil aparelhos e peças. No Shopping Mundo Oriental, outros aproximadamente 5 mil celulares foram apreendidos.

Os materiais ainda estavam sendo contabilizados, o que significa que o número definitivo pode sofrer alterações. Além dos telefones e componentes, os agentes recolheram equipamentos eletrônicos, documentos e dinheiro.

Entre os valores contabilizados durante a operação estavam cerca de R$ 122,5 mil e US$ 268 em espécie. Notebooks, tablets, computadores e dispositivos de armazenamento também foram recolhidos para análise.

Governo anuncia medida contra 17 empresas

O governador Tarcísio de Freitas anunciou nesta quinta-feira que 17 empresas investigadas na operação deverão ter seus registros suspensos. Segundo o governo, também deverá ser iniciado um procedimento para impedir a continuidade das atividades dos estabelecimentos caso as irregularidades sejam confirmadas.

As empresas são investigadas por possível participação na comercialização de produtos provenientes de roubos e furtos. Parte dos estabelecimentos identificados durante a investigação está localizada na região central de São Paulo.

As responsabilidades individuais dos investigados e das empresas ainda serão apuradas. A operação e os procedimentos decorrentes dela seguem em andamento.

Centro de São Paulo aparece na rota dos aparelhos

A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificou uma espécie de corredor utilizado para fazer celulares roubados e furtados retornarem ao mercado.

Entre os locais citados na apuração estão a Rua Guaianases, Santa Ifigênia, região da 25 de Março e o Shopping Mundo Oriental. Lojas, boxes, assistências técnicas e imóveis utilizados como depósitos estão entre os endereços investigados.

Segundo os investigadores, alguns desses pontos seriam utilizados para receber, desbloquear, desmontar ou comercializar aparelhos sem comprovação de origem.

Esquema teria quatro etapas

O Gaeco afirma ter identificado pelo menos quatro núcleos diferentes na cadeia investigada. O primeiro seria responsável pela obtenção dos celulares por meio de furtos e roubos, incluindo crimes praticados contra motoristas no trânsito e vítimas em locais de grande circulação.

Depois, os aparelhos seriam entregues a pessoas especializadas em desbloqueá-los. Além de acessar informações pessoais, esse grupo poderia tentar movimentar dinheiro das contas bancárias das vítimas.

Outra etapa envolveria a preparação dos celulares para retornar ao mercado. Segundo a investigação, os envolvidos alterariam o IMEI e removeriam bloqueios para dificultar a associação do aparelho ao crime registrado pela vítima.

Peças também seriam revendidas separadamente

Quando não fosse possível ou vantajoso comercializar o telefone inteiro, os aparelhos seriam desmontados. Telas, placas e outros componentes poderiam então ser revendidos separadamente.

A investigação considera esse mercado de receptação uma peça importante para explicar a continuidade dos furtos e roubos de celulares. Ao atingir quem desbloqueia, desmonta e comercializa os dispositivos, as autoridades esperam reduzir a capacidade de transformar aparelhos roubados em lucro.

A Operação Frankmobile é resultado de cerca de dois anos de investigação e envolve o Ministério Público de São Paulo, as polícias Civil, Militar e Penal e as secretarias estaduais da Segurança Pública e da Fazenda.

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

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