Em São Paulo, Lula diz que proibição das bets foi ‘atitude muito drástica’
Presidente defendeu medida que proíbe apostas de quota fixa no país durante ato em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender neste sábado (26) a decisão de proibir as bets no Brasil. Durante um ato de campanha em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, Lula afirmou ter tomado uma “atitude muito drástica” e criticou os impactos das apostas sobre a população de menor renda.
A manifestação ocorreu um dia depois da publicação da medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa em território nacional.
Ao abordar o assunto durante o evento, Lula afirmou que as bets se transformaram em uma “desgraça na vida das pessoas pobres” e relacionou a decisão do governo aos casos de endividamento provocados pelas apostas.
O presidente também afirmou que pessoas interessadas em ganhar dinheiro devem buscar outras formas de fazê-lo, sem provocar o endividamento de apostadores.
Lula cita endividamento provocado pelas apostas
Durante o discurso, Lula relatou casos de pessoas que, segundo ele, enfrentaram graves problemas financeiros depois de apostar.
Entre os exemplos mencionados estava o de um empresário que teria realizado cerca de 1,3 mil transferências via Pix para plataformas de apostas em dois meses e acumulado dívida de aproximadamente R$ 2,5 milhões.
Lula também mencionou o caso de uma mulher que possuía uma loja e teria acumulado mais de R$ 600 mil em dívidas depois de começar a apostar.
Ao justificar a proibição, o presidente argumentou que os recursos destinados às apostas podem comprometer despesas básicas das famílias, como alimentação.
Medida provisória proíbe bets no Brasil
A proibição foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394, publicada na sexta-feira (25).
O texto proíbe em território nacional a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, tanto em meios físicos quanto virtuais. A determinação alcança apostas relacionadas a eventos esportivos e jogos online.
A medida também se aplica a operadores sediados no exterior que ofereçam apostas a pessoas localizadas no Brasil e alcança autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal.
Outras modalidades de loteria autorizadas pela legislação não são atingidas pela proibição.
Sites de apostas deverão sair do ar
O encerramento das operações será feito de forma gradual para permitir que apostadores retirem valores que ainda estejam depositados nas plataformas.
Desde sexta-feira (25), novos aportes nas bets estão proibidos.
Os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente o dinheiro disponível nas contas. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar.
Entre 7 e 8 de outubro, as empresas deverão informar às instituições financeiras os valores que permanecerem nas contas dos clientes, identificados por CPF.
A devolução desses recursos pelos bancos está prevista para ocorrer entre 9 e 14 de outubro. Nos casos em que houver impedimento para a restituição, os valores deverão ser encaminhados à Caixa Econômica Federal, responsável por providenciar a devolução.
Publicidade e patrocínios também serão retirados
A medida provisória também proíbe publicidade, propaganda, marketing e patrocínio relacionados às apostas de quota fixa.
As empresas deverão retirar as peças publicitárias e sinais de patrocínio dentro do prazo estabelecido pela nova legislação.
Além da medida provisória, o governo apresentou um projeto de lei para criar crimes relacionados à exploração ilegal de apostas.
Entre as condutas previstas estão a exploração ilegal das apostas, divulgação ou captação de apostadores, utilização de dados pessoais para atrair jogadores, facilitação financeira e fornecimento de aplicações de internet destinadas às apostas proibidas.
Por se tratar de um projeto de lei, essas novas tipificações penais ainda dependem da tramitação e aprovação pelo Congresso Nacional.
Governo relaciona decisão a problemas de saúde pública
Ao anunciar a medida, o governo também apresentou dados sobre os impactos das apostas na saúde pública.
Segundo o Ministério da Saúde, problemas relacionados ao jogo podem estar associados a endividamento, ansiedade, depressão, alterações no sono e no humor, conflitos familiares e prejuízos nas relações pessoais e profissionais.
O governo afirma que pretende ampliar as ações de identificação e atendimento de pessoas com comportamento problemático relacionado às apostas por meio da rede pública de saúde.
A proibição entra em uma fase de transição nos próximos dias, até a retirada dos sites e aplicativos prevista para 6 de outubro.




