São Paulo

Justiça determina que Uber registre motoristas e pague R$ 1 bilhão em danos morais coletivos

A Justiça do Trabalho proferiu uma decisão que obriga a Uber a registrar todos os seus motoristas ativos, bem como os futuros trabalhadores que ingressarem na plataforma. A determinação, emitida pela 4ª Vara do Trabalho de São Paulo e assinada pelo juiz Mauricio Pereira Simões, tem abrangência nacional.

Além do registro em carteira, a plataforma digital foi condenada a pagar uma indenização de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos. A sentença é resultado de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP).

Justiça determina que Uber registre motoristas e pague R$ 1 bilhão em danos morais coletivos
Decisão da 4ª Vara do Trabalho de São Paulo exige registro em carteira de todos os motoristas ativos e futuros, além de indenização milionária(Marcello Casal Jr. – Agência Brasil)

De acordo com o texto da decisão, a Uber deve cumprir a obrigação de registrar os motoristas como empregados, utilizando a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) digital. A não realização dos registros acarretará em multa diária de R$ 10.000,00 para cada motorista não registrado.

A Uber tem o direito de recorrer da decisão. Conforme estabelecido na sentença, a plataforma só será obrigada a realizar os registros após o trânsito em julgado da ação, ou seja, após o julgamento de todos os recursos. O prazo para cumprimento da obrigação é de 6 meses a partir do trânsito em julgado e intimação para início do prazo.

A ação civil pública foi ajuizada pelo MPT-SP em novembro de 2021, com o objetivo de reconhecer o vínculo empregatício entre a Uber e seus motoristas. O Ministério Público do Trabalho alegou ter acesso a dados que comprovam o controle da plataforma sobre as atividades dos motoristas, o que caracterizaria uma relação de emprego.

O juiz do Trabalho acatou o argumento do MPT na decisão, destacando o alto nível de controle exercido pela Uber sobre os motoristas. Segundo ele, o poder de organização produtiva da plataforma é muito maior do que qualquer outro já visto nas relações de trabalho, envolvendo recompensas e penalidades baseadas no atendimento ou recusa de corridas, além da necessidade de estar conectado à plataforma para receber viagens.

O coordenador nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho (Conafret) do MPT, Renan Kalil Bernardi, ressaltou a importância do processo e o impacto no debate sobre o trabalho em plataformas digitais no Brasil. A ação exigiu uma análise jurídica aprofundada e envolveu o maior cruzamento de dados da história do MPT e da Justiça do Trabalho.

O que diz a Uber

Em resposta à decisão, a Uber afirmou que irá recorrer e que não cumprirá nenhuma das medidas exigidas antes do esgotamento de todos os recursos cabíveis. A empresa ressaltou que a decisão causa “evidente insegurança jurídica” e que continuará atuando para proporcionar oportunidades flexíveis de trabalho aos motoristas parceiros.

Um Comentário

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

Leia também

Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios