São Paulo

Governo recorrerá ao STF por derrubada do IOF, informa AGU

AGU protocola ação no Supremo para restabelecer decreto de aumento do IOF e acusa Congresso de violar separação de poderes

A Advocacia‑Geral da União (AGU) protocolou nesta terça-feira (1º) uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) no Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão do Congresso que anulou o decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O advogado‑geral da União, Jorge Messias, afirmou que o recurso foi enviado a pedido do presidente Lula, após pareceres técnicos e jurídicos concluírem que o decreto está em conformidade com a Constituição e não poderia ser sustado pelo Legislativo.

Governo recorrerá ao STF por derrubada do IOF, informa AGU
AGU protocola ação no Supremo para restabelecer decreto de aumento do IOF e acusa Congresso de violar separação de poderes(Marcelo Camargo – Agência Brasil)

Segundo Messias, a suspensão da medida representa “violação do princípio da separação de poderes” e reconheceu que a decisão de recorrer ao STF foi estritamente jurídica — “não foi tomada no calor da emoção” — mantendo interlocução com a Câmara e o Senado. O relator da ação no STF será o ministro Alexandre de Moraes, que já cuida de processos similares sobre o IOF.

O decreto de maio visava a aumentar as alíquotas do IOF sobre crédito, câmbio, seguros e operações financeiras para reforçar a arrecadação e cumprir a meta fiscal, estimando gerar cerca de R$ 12 bilhões a mais em receitas este ano e R$ 40 bilhões em 2026. Porém, o Congresso, liderado por Hugo Motta na Câmara, derrubou o decreto com ampla maioria (383 votos favoráveis), argumento que motivou a judicialização.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que o movimento jurídico tem natureza técnica e está desvinculado de motivações políticas ou econômicas, ressaltando que cabe à AGU conduzir o recurso. O governo defende que o decreto respeita o limite de alíquota de 1,5% ao dia previsto em lei e que a derrubada pelo Legislativo causa instabilidade institucional e financeira.

O episódio intensifica o conflito institucional entre Executivo e Congresso, iniciado em maio, quando o governo tentou implementar o aumento, e traz à tona discussões sobre o alcance do poder normativo e a autonomia do presidente frente ao Legislativo. Com a judicialização, o STF deverá decidir se restitui imediatamente o efeito do decreto e se declara inconstitucional a revogação aprovada pelo Congresso.

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

Leia também

Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios